20 Junho, 2009

Pastor e integrante de igreja são presos no Rio de Janeiro suspeitos de intolerância religiosa

Um pastor e um integrante de uma igreja foram presos no início da tarde de ontem, sexta (19) na Zona Portuária do Rio suspeitos de intolerância religiosa. Segundo a delegada Helen Sardenberg, titular da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), essas seriam as primeiras prisões, que são preventivas, para esse tipo de crime no estado do Rio. Os dois, um deles o Pastor Tupirani, que são da Igreja Geração Jesus Cristo, foram encaminhados para a delegacia.

Helen afirmou que os dois são responsáveis por imagens na internet em que o homem, que se identifica como Afonso Henrique, faz referências negativas a pais de santo na internet. A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa denunciou o líder religioso ao Ministério Público e à chefia de Polícia Civil, por intolerância religiosa.

Segundo a comissão, a queixa foi feita na quarta-feira (17), depois da exibição das imagens. Ainda segundo a comissão, Afonso seria responsável por um ataque a um centro espírita no Catete, na Zona Sul do Rio. No vídeo postado na internet, ele confessa que participou da ação no Catete, mas ressalta que foi ameaçado. Na época, o Pastor Tupirani condenou o ataque.

A delegada informou também que a investigação mostrou que o pastor foi o mentor intelectual do vídeo. Segundo ela, ele é o fundador da igreja. Os dois serão encaminhados para a carcaragem da Polinter. Eles não reagiram à prisão.
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Do G1, no Rio, com informações da TV Globo
Endereço: http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1201265-5606,00-PASTOR+E+INTEGRANTE+DE+IGREJA+SAO+PRESOS+SUSPEITOS+DE+INTOLERANCIA+RELIGIOS.html

12 Junho, 2009

Apocalipse: uma mensagem de esperança (Pr. Ronan Boechat de Amorim)




I – O assassinato de Jesus e a perseguição aos cristãos

Quando o livro do Apocalipse foi escrito entre os anos 90 e 100 o povo cristão sofria uma intensa perseguição, que começou num primeiro momento em Roma, a capital do Império Romano, mas que se espalhou por todas as terras dominadas pelo Império. Mas quem perseguia os cristãos e por quê? Quem perseguia os cristãos era o Império romano que julgava que Jesus tinha sido um revolucionário que ameaçava a tranqüilidade do império ao supostamente afirmar que ele era o rei (messias) dos judeus.

É bom lembrar que embora Jesus tenha sido acusado pela liderança judaica de ser um herege (ao afirmar que era o Filho de Deus e Deus), a autoridade que o sentenciou a morte foi o governador Pilatos que representava o Império Romano na Judéia. Pilatos entrega Jesus para os soldados romanos que executam a crucificação. A pena de morte sofrida por Jesus não foi o tradicional apedrejamento, mas a crucificação.

Como a morte de Jesus não havia colocado um fim no movimento (no cristianismo), os seguidores de Jesus eram considerados inimigos do Império e passaram a ser perseguidos por ele.

O filme “Quo Vadis”, de 1951, dirigido por Mervyn LeRoy e estrelado por Robert Taylor e Deborah Kerr em determinada cena conta que o Imperador Nero põe fogo na cidade de Roma e culpa os cristãos, supostamente porque miraculosamente os bairros onde residiam cristãos e judeus são os únicos que não são destruídos pelo fogo. Diante da revolta popular, colocar a culpa nos cristãos não foi difícil, visto que estes já eram considerados “misantropos” (inimigos da raça humana, o oposto de filantropos) por não participarem dos jogos e da vida social de Roma sempre dedicados a homenagear algum Deus. Assim, qualquer desastre, catástrofe ambiental ou mesmo a derrota do exército em alguma batalha era considerada culpa dos cristãos que não homenageavam os deuses romanos.

Aos poucos ser cristão por si só já era um crime, pois isso significava confessar a Jesus Cristo e não o Imperador Romano como Senhor e Deus. Quando denunciado e levado diante de um tribunal romano, a única forma de não ser condenado à morte era renegar a fé em Jesus.

Quando o livro do Apocalipse foi escrito o Imperador de Roma era Domiciano. Ele promoveu em todo o Império uma caça, tortura e morte dos cristãos.

As perseguições aos cristãos só terminariam por volta do ano 311 dC, quando Constantino, Licínio e Galilério, que lutavam pelo trono do Império Romano, assinaram e publicaram o Edito de Tolerância para com os cristãos, sob a condição que eles não praticassem nada com a disciplina.

II – Qual é a mensagem do livro de Apocalipse?

Apocalipse é uma palavra que quer dizer “tirar o véu”, ou seja, revelação. Quando uma coisa está escondida, invisível, é preciso tirar o véu para que ela seja vista. O que estava escondido? A esperança e a vitória do povo de Deus. “Até quando, Senhor?”, pergunta o povo. O livro do Apocalipse é a resposta de Deus (Ap 1:11 e 19), que tira o véu da desesperança: “Bem-aventurados aqueles que lêem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo” (Ap 1:3).

Nos capítulos 2 e 3 há as 7 cartas para as 7 igrejas da Ásia. Deus aponta a verdadeira situação de cada uma e as desafia a permanecerem fiéis diante das perseguições, pois o vencedor receberá as promessas de Deus.

A visão leva João para dentro do Céu onde ele vê o Trono de Deus (Ap 4:1-11), vê a adoração ao Todo-Poderoso (Ap 5:1-14) e vê a Jesus Ressuscitado, o Cordeiro, que abre os 7 selos do livro fechado (Ap 6:1-17). O livro contém a história do povo de Deus, inclusive o projeto de Deus – a plenitude do Reino – e cada selo revela uma etapa dessa história, desse processo.

Os 4 primeiros selos apresentam a história do homem dominada pelo mal (AP 6:1-8). É no quinto selo que aparece a grande perseguição daqueles anos 90, na qual os cristãos são mortos como Jesus. Eles clamam para que Deus faça justiça. Deus responde: “Agüentem um pouco mais. Até que se complete o número dos irmãos” (Ap 6:11). O texto diz que a perseguição tem prazo para terminar. Deus está no controle da história, mesmo quando a gente não percebe isso claramente.

O 6º selo apresenta o futuro, quando Deus realiza o grande Dia do julgamento apresentado sob a figura dos fenômenos catastróficos da natureza que alcança inclusive os poderosos e os perseguidores (Ap 6:15). Mas o povo de Deus (12 tribos) é protegido (anjos que seguram os 4 ventos). A marca na testa é o sinal da salvação (Ap 7:3, Ap 9:4). O povo de Deus é apresentado como o Israel perfeito. Um povo incontável (Ap 7:9), porque a salvação está aberta para todos. Com a abertura do 7º selo, aparecem 7 anjos com 7 trombetas (AP 8:2). São as 7 pragas que vão exterminar os que exterminaram a terra (Ap 11:8). A sétima praga marcará o fim para aqueles que não abandonaram o mal (Ap 10:7).


A visão continua, mas agora volta-se novamente para a terra, para a criação. AP 12:1 a 14:20 descreve uma série de visões (simbólicas) que representam a luta enre Deus e seus inimigos, os poderes do mal. E dentre esses o maior deles é o Império Romano. Mas retornemos ao julgamento. Podemos dizer que ele tem 3 etapas:

O passado (Ap 12:1-17) – Do ano 33 até o ano 95

O presente (Ap 13:1 a 14:5) – A época da perseguição do Imperador Domiciano.

O futuro (Ap 14:6 a 22:21 – as coisas que vão acontecer depois do ano 95 até o fim.


III - O Passado

A visão mostra o dragão (satanás) perseguindo a mulher grávida, que simboliza o povo de Deus: seja o Israel que foi fiel a Deus no AT, que sofre as “dores de parto” (cf. Mq 5:3; Ap 12:2) do qual nasce (procede) o Messias prometido, seja a Igreja do NT (o restante da descendência – Ap 12:17; Gl 4:26; 1Jo 4:15). O filho vai para Deus (Ap 12:5) e a mulher encontra refúgio em Deus (Ap 12:6) ao fugir para o deserto (referência o Êxodo) durante 1260 dias (3 anos e meio ou ainda as 42 semanas de Ap 11:2 ou o tempo, tempos e meio tempo de Ap 12: ), o mesmo tempo em que as testemunhas têm para testemunhar (cf. Ap 11:3). Essas medidas te tempo são a metade de 7 anos e indica um tempo limitado e imperfeito. Ou seja, Deus diz que perseguição será por breve tempo; ela já tem tempo certo para acabar. Essa revelação é motivo de fé e de perseverança para o povo perseguido (Ap 13:10).

O dragão é o poder do mal que opera no mundo, o satanás que é expulso dos céus (Ap 12:7-12). Na terra, encolerizado e sabendo que lhe resta pouco tempo (Ap 12:12), persegue a mulher (povo de Deus).


IV – O que acontecia na época em que o livro foi escrito

A perseguição se intensifica. Agora surge a besta que tem “dez chifres” (o poderoso império romano) que tem as características das 4 bestas de Daniel 7:1-8. Ela tem e age no poder do dragão e na sua autoridade (Ap 13:2). Mostra-se como imitação do Cordeiro (Ap 13:3) e como alternativa a ele. A besta é o falso cordeiro (salvador, messias) que leva o povo a adorar o dragão (Ap 13:4). A besta que emerge da terra e tem apenas dois chifres (pouco poder) são os falsos profetas, que operam grandes sinais (Ap 13:13) e promovem o culto idolátrico a ela (Ap 13:12). Seus seguidores recebem uma marca (Ap 13:16), que é uma imitação da marca recebida pelos que seguem a Jesus (Ap 7:3; Ap 9:4). Essa marca (o nome da besta ou o número do seu nome – Ap 13:17) é o que permite as pessoas “comprar ou vender” (viverem e interagirem, não ser morto – Ap 13:15). Esse nome ou esse número é nome de um homem: 666 (Ap 13:18). Referindo-se àquele ao imperador romano. A visão deixa claro: o império romano não presta. É obra de satanás!

Mas a visão não mostra que é fim de tudo e que a história humana terminará desse jeito. Em contraste com as bestas anteriores, Ap 14 começa por apresentar a figura do Cordeiro rodeado por todo o povo de Deus que celebra entoando um novo cântico pela salvação obtida. Os 144.000 não dobraram seus joelhos à besta (“os castos”) e trazem a marca da pertença a Deus (Ap 14:1). 144.000 é um número simbólico. É o 12 (número que representa a perfeição divina – doze tribos, 12 apóstolos, etc) multiplicado por 12.000 (que é 12 x 1000). 10 é um número que representa a totalidade (10 mandamentos, etc). Ou seja, Ap 14 mostra que o Cordeiro está de pé e é seguido pela multidão dos que resistem ao dragão, à besta e aos falsos profetas e falsos sacerdotes que servem a besta. A visão mostra que, tal como aconteceu com o Israel do profeta Elias, havia muita gente (7 mil) que não adorou ao deus Baal e nem beijou a sua imagem (1Rs 19:18). Não estamos sós, aleluia! Podemos até não ver, mas o povo de Deus está de pé, enfrentando as adversidades e vencendo as tentações e perseguições no poder do Espírito Santo. Como disse o profeta Eliseu ao seu servo ao verem-se cercados pelos exércitos da Síria: “Não temas, porque mais são os que estão conosco do que os que estão com eles. Orou Eliseu e disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2Rs 6:16-17).


V – O futuro – As coisas para além daquele ano de 95 d.C.

a) O império e seus falsos profetas serão aniquilados por Jesus

Deus agora revela o futuro, e essa é a parte mais difícil do Apocalipse. A visão de Ap 14:6-12 mostra um primeiro anjo que anuncia que é chegada a hora do juízo divino sobre a criação (Ap 14:6-7 e a chegada do julgamento está descrito em Ap 14:20). O segundo anjo anuncia a queda da Babilônia, ou seja, de Roma e do seu diabólico império (Ap 14:8 e a queda da grande prostituta está descrita em Ap 15:1 a 19:10). O terceiro anjo anuncia a derrota final e o juízo (castigo) sobre a besta=império romano e os seus seguidores e partidários da besta (Ap 14:9-11 e a derrota final do mal está em Ap 19:11 a 20:15). Essa revelação divina dá forças para o povo sofredor e o fará resistir às perseguições e perseverar fiel na fé em Jesus.

Ap 19:11-21 descreve Jesus montado num cavalo branco derrotando os reis da terra e a besta e os seus falsos profetas. Todos eles são capturados e jogados (condenados) ao lago de enxofre cujo fogo não se apaga nunca (Ap 19:11-21), à morte eterna, ao inferno. A arma de Jesus é a espada que sai da sua boca (Ap 19:15 e 21; Ap 1:16). Ou seja, a vitória vem através do anúncio do Evangelho que desmascara e destrona o poder do mal e conduz ao Deus vivo e à vida verdadeira e eterna. A verdade e a justiça de Cristo se imporá sobre a mentira e o mal. A rocha não talhada por mãos humanas destruiu a estátua descrita na profecia de Daniel 2:34-35. Vivemos ainda no tempo em que a terrível estátua está desabando, sendo esmiuçada e a rocha se transformando numa montanha, e enchendo toda a terra (Dn 2:35).


b) A questão do milênio, o julgamento final e a destruição de satanás

Ap 20:1-6 diz que o dragão (satanás) será aprisionado por Deus por mil anos e depois será solto por breve tempo antes de ser lançado no lago de fogo. O que isso significa e quando isso vai acontecer? Essas são perguntas cruciais. Ap 20 é um texto que tem sido interpretado de muitas maneiras. Uma delas, ao meu ver muito equivocada, é a interpretação literal (exatamente como está escrito!) que no futuro o diabo será “aprisionado por mil anos” e haverá paz na terra. Depois ele será libertado, promove muita guerra, dor e perseguição sobre os cristãos, para depois disso ser derrotado definitivamente e finalmente exterminado. Mas por que Deus derrotaria e aprisionaria o diabo, para depois soltá-lo para ele promover mais destruição e morte, para só então, ele ser definitivamente derrotado? Alguns justificam: para Deus testar a fidelidade do seu povo. Mas o Deus onisciente que conhece cada um dos meus dias quando ainda não foram vividos e a minha palavra antes que ela chegue à minha boca não precisa desses expedientes para conhecer a mim, a quem quer que seja, ou ao seu povo.

O milênio é real porque está descrito na Palavra de Deus. Mas, repito, quando ele vai acontecer e o que ele significa?

Ele está acontecendo agora, no decorrer da história humana. Se tivermos que estabelecer um começo para ele, podemos colocá-lo na encarnação, morte e ressurreição de Jesus (1Jo 3:8). O apocalipse diz que a vitória de Cristo continua a acontecer e brevemente será total. “Pela morte e ressurreição, Jesus conquistou a vitória sobre o mal (dragão=satanás, que está vivo mas não tem plena liberdade para agir. Mil anos é o tempo que vai da morte de Jesus até a consumação final (equivale a três anos e meio ou a um tempo superior e bem melhor que este). (...) Entre a ressurreição de Jesus e a consumação final, o povo de Deus participa da realeza e do seu julgamento. A primeira ressurreição é a conversão e o batismo, é a passagem da morte do pecado para a vida em Cristo. Para os convertidos não acontece a morte definitiva, a segunda morte”, diz-nos a nota de rodapé referente ao texto de Ap 20:1-6 da Bíblia Edição Pastoral, Editora Paulinas, página 1610.

A nota explicativa da mesma Bíblia referente ao texto de Ap 20:7-8 diz que “durante a história, o povo de Deus (acampamento dos santos e a Cidade amada) continua em luta contra as forças do mal (satanás), mas é protegido por Deus (fogo do céu). Gog e Magog são nomes simbólicos que representam os poderes da idolatria, inimigos de Deus e do seu povo. Mas o poder do mal está completamente destruído (lago de fogo)”.

Independentemente da interpretação do significado e da cronologia do milênio, o importante é nos incluirmos nos planos do Deus e confiar que o futuro pertence ao nosso Pai, Deus de amor e eterno soberano. E que a perseguição, a morte, o prato, satanás e toda forma de mal terão fim. Pois quem disse isso não se engana e não mente. Deus é fiel e é leal. Sobre especulações Jesus nos alertou: “Não vos compete saber temos e épocas que o Pai reservou para sua exclusiva autoridade e competência”. Nossa tarefa é esperar vigilantes como as virgens prudentes e testemunhar o Evangelho até que ele volte (Mt 28:19-20; At 1:8).

A segunda vinda de Jesus (Mt 24:30; Mt 26:64) antes do julgamento final narrado em Ap 20:11-15. Tal como descrito em Mt 25:31-46, o texto nos aponta que o julgamento será individual. E os mortos também ressuscitarão para serem julgados (1Co 15:52). E o destino para todos os que não foram vitoriosos na fé e não têm o nome escrito no livro da Vida é a morte eterna; serem lançados para dentro do lago de fogo, a saber, a morte eterna. No julgamento final todos receberão aquilo que buscaram e construíram em vida. Sem querer negar a autoridade e a soberania de Deus, cada um vai para o inferno com os próprios pés, por conta própria. Mas ser salvo para o Céu, somente pela fé e aceitação da graça de Jesus (Ef 2:8-9).

Os que tiverem a marca do Cordeiro ouvirão o “vinde benditos do meu Pai, entrai na posse do reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (cf. Mt 25:34). Eles verão e viverão face a face com o Senhor nos novos céus e na nova terra do Ap 20:1 a Ap 22:5.


c) O novo céu e a nova terra onde habitará a justiça (1Pd 3:123)

Como muito bem sinalizado pelo apóstolo Paulo em Rm 8, toda a criação será redimida do poder do pecado, da morte e do mal. Não apenas as pessoas que tiverem o nome no Livro da Vida, mas toda o universo, fauna e flora serão redimidos. Deus em sua generosidade e amor restaurará o Jardim do Éden, só que agora, descrito como uma cidade: a nova Jerusalém (Ap 21). É chegada a hora de vermos Deus face a face (Ap 22:4). E o Senhor lhes “enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as coisas antigas desapareceram” (Ap 21:4). A nova Jerusalém refletirá a glória eterna de Deus, que nela está presente.

A história humana começada em Gn 3 marcada pelo pecado e pela sua conseqüência de maldição terão terminado (Ap 22:3). Através de Jesus (o caminho, a porta, etc) retornaremos à vida e a realidade espiritual e plena de Gn 2 e teremos acesso ilimitado ao rio da água da vida (símbolo do Espírito Santo) e à árvore da vida (Ap 22:1).


VI - Conclusão:

É verdade que muitas pessoas, inclusive muitos cristãos, têm medo da mensagem do livro do Apocalipse. Mas como vimos, esse medo é fruto apenas da ignorância por desconhecerem o teor do apocalipse, ou seja, a profecia de que os sofrimentos e perseguições terão fim, a promessa de salvação eterna, e a palavra de esperança que isso traz ao coração do homem e da mulher de Deus. O medo é porque só enxergam a letra (2Co 3:6).

O homem natural só consegue discernir as coisas naturais, ver as aparências... mas o homem espiritual discerne as coisas naturais e as espirituais (1Co 2:14-16). Ele confia e espera em Deus (1Tm 1:12). Pois tudo o que não provém de fé é pecado (Rm 14:23).

O Apocalipse, como qualquer outro texto bíblico e sobretudo por ser um texto profético, está aberto a interpretações e releituras, como o povo de Deus já fez muitas vezes no passado. O mais importante, porém, é sua mensagem de firme convicção da esperança de que a palavra última na história é de Deus e não dos impérios humanos ou de satanás e da morte, por mais dominadores e destruidores que se nos apresentem. O Império romano foi a besta-fera do passado, hoje a besta-fera (o anti-Cristo) e os falsos profetas são outros, e estão bem vivos ao nosso lado tentando colocar-se sobre nós, buscando tomar o lugar de Jesus como Senhor e Salvador na vida das pessoas. Mas eles, tal como o império romano, passarão. Céus e terra passarão, mas a Palavra do Senhor permanecerá (Mt 24:35). Aleluia!

O fato de conhecermos o fim das coisas, deve nos levar a experimentar a conversão ao Evangelho e a colocar a nossa fé em Jesus e viver por modo digno do Evangelho, para que recebamos a marca do Cordeiro e para que nosso nome seja escrito no Livro da Vida. Por isso devemos orar: Maranata, Senhor Jesus! Venha o teu Reino... transforma nossa história de dor e morte numa história de graça e de vida eterna. Aleluia

Violência mantém Brasil atrás de vizinhos em índice da paz: está em 85º lugar no ranking de 144 países.


A violência manteve o Brasil atrás da Argentina, do Uruguai, do Paraguai, da Bolívia, do Peru e do Chile na última edição do Índice Global da Paz (IGP), um levantamento anual dos indicadores de segurança e violência no mundo.

Na América do Sul, o Brasil só fica na frente da Colômbia, país afundado em um grave conflito interno, e da Venezuela, onde a disputa política é acirrada.

O Brasil está em 85º lugar no ranking de 144 países, avançando cinco posições em relação ao IGP de 2008. A melhora mudança se deve principalmente a uma ligeira redução no volume de importação de armas, percentual do Produto Interno Bruto (PIB) destinado a investimentos militares e número de agentes armados em relação à população.

Em primeiro lugar no IGP deste ano, ficou a Nova Zelândia, destronando a Islândia que caiu para o quarto lugar como o país mais pacífico do mundo. Em segundo, está a Dinamarca, seguida por Noruega, Islândia, Áustria, Suécia e Japão. Completam os dez primeiros colocados Canadá, Finlândia e Eslovênia.

Chile em alta

O Chile é o melhor colocado da América Latina, na 20ª posição, uma atrás da obtida em 2008. Em seguida, dos vizinhos brasileiros, vem o Uruguai, em 25º.

Entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos ficaram em 83º lugar, bem atrás dos vizinhos canadenses (8º). O principal motivo para a má colocação dos americanos são as ameaças de terrorismo e criminalidade no país.

Por outro lado, a Europa foi considerada a região mais pacífica do planeta, com a maioria dos seus países entre os 20 primeiros colocados do ranking. Entre as exceções estão França (30º), Grã-Bretanha e Itália, os dois últimos juntos em 35º e 36º lugar, respectivamente.

De acordo com o IGP, embora tenha subido 14 colocações desde 2008, a Grã-Bretanha continua sob ameaça de terrorismo e criminalidade, além de registrar altas exportações de armamentos.

Já a Itália caiu oito posições (de 28 para 36) e os culpados também são a percepção da criminalidade e a proporção de agentes de segurança na população.

Em último na Europa está a Grécia, que caiu três posições principalmente por causa das revoltas domésticas que explodiram no país no ano passado, depois que um menino de 15 anos foi assassinado pela polícia.

Em último lugar no ranking global está o Iraque, arrasado pela longa guerra. Conflitos também arrastaram o Afeganistão para o penúltimo lugar e Israel para o 141º.

O pé do ranking IGP é completado por outros países em conflito, como Somália (142), Sudão (140), República Democrática do Congo (139) e Chad (138).
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Notícia da BBC no site do G1.
Endereço: http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,MUL1181145-5598,00-VIOLENCIA+MANTEM+BRASIL+ATRAS+DE+VIZINHOS+EM+INDICE+DA+PAZ.html

29 Maio, 2009

Abertura de arquivos de documentos relacionados ao período da ditadura militar e a Igreja Metodista (Aírton Campos)

Os documentos, que certamente algumas pessoas que vivenciaram aquela época ainda tenham em seu poder, poderiam ser encaminhados para o Centro de Memória ajudando a desvendar este episódio obscuro da história de nossa Igreja Metodista.


O governo federal anunciou que vai enviar ao Congresso Projeto de Lei que muda a classificação de documentos sigilosos, reduzindo o prazo para que se tornem públicos.
Outra medida anunciada foi a convocação aos brasileiros para que repassem ao governo federal ou aos governos estaduais documentos relacionados ao período da ditadura militar que se encontrem em seu poder.

Este é um grande passo na vida democrática. Quem se julgar ofendido pela divulgação de atos produzidos por sua convicção ideológica – qualquer que seja ela – poderá recorrer à Justiça.

A Igreja Metodista também tem um período de repressão que culminou com o fechamento da Faculdade de Teologia em São Paulo no início de 1968.

O jornal de Vila Isabel naquela época tinha o nome de Alvorada, era editado pela Sociedade de Jovens e reagiu firmemente contra o fechamento publicando matérias com criticas à decisão.

Considerando que a medida era arbitrária, drástica e desnecessária, pois criava um obstáculo ao chamado para o ministério pastoral de muitos jovens, inclusive de Délcio Campante, membro de nossa igreja, um Concilio Local de Vila Isabel aprovou um protesto contra o ato e enviou o Luiz Pimenta para verificar in loco o problema.
Nossa reação trouxe à Vila, em julho, o Bispo Natanael Innocêncio do Nascimento para discutir o assunto e dar explicações. Em setembro do mesmo ano, 1968, um Concílio Geral Extraordinário determinou a reabertura da Faculdade. No entanto ela efetivamente só foi reaberta no inicio do ano letivo de 1969.

Somente 30 anos depois, em 1998, a Igreja Metodista assumiu que havia errado e pediu perdão pelos atos que levaram ao fechamento da Faculdade. Naquela ocasião nosso irmão João Wesley Dornellas esteve presente à solenidade e distribuiu exemplares do Alvorada de 1968, que protestavam contra o fechamento, e cópias deles estão nos anais da Faculdade de Teologia.

Agora que está sendo instalado o Centro de Memória Metodista, sob a coordenação do Bispo Paulo Ayres Mattos, quem sabe também poderíamos lançar um projeto para revelar nossas memórias.

Os documentos, que certamente algumas pessoas que vivenciaram aquela época ainda tenham em seu poder, poderiam ser encaminhados para o Centro de Memória ajudando a desvendar este episódio obscuro da história de nossa Igreja Metodista.

Criar este acervo e preservar a memória e a história da Igreja pode ajudar para que não corramos o risco de vê-la repetida.

Uma lista dos documentos, devidamente classificados, poderia ser disponibilizada na internet para acesso aos interessados em conhecer e estudar esta parte da história da Igreja.
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Matéria extraída do Jornal da Vila de 31 de maio de 2009, escrita por Airton Campos, membro da Igreja Metodista de Vila Isabel, professor da Escola Dominical e membro do Conselho Diretor do Hospital Evangélico do Rio de Janeiro.

23 Maio, 2009

Acerca dos 271 anos da experiência religiosa do coração aquecido de João Wesley, o fundador do movimento metodista (Ronan Boechat de Amorim)




Ao falarmos da experiência do Coração aquecido de João Wesley naquele 24 de maio de 1738 naturalmente nos recordamos do princípio do metodismo na Inglaterra naquele já distante século XVIII.

E nos lembramos da degradação moral, social, política e religiosa em que vivia a Inglaterra de então. E como em meio aquela situação uma família se destacava em levar à sério a religião, a espiritualidade e o desejo de fidelidade a Deus. Suzana Wesley, aquela mãe e cristã tão vigorosa, ética, sensível e cheia de fibra, o quanto ela foi perseverante em educar seus filhos no temor do Senhor, distinguindo-se do que era “normal em sua época”. Vemos que João Wesley, apesar de todo ensino recebido zelosa e apaixonadamente por sua mãe Suzana, começa uma busca pessoal pela sua própria experiência com Deus. Não queria ser um cristão cujas experiências com Deus fossem limitadas às vividas e recebidas da senhora sua mãe. Ele buscava intensamente ter a sua experiência pessoal e de fé com Deus.

Foi em busca dessa experiência de fé que aceitou ir como missionário na então colônia inglesa na América do Norte, de onde volta algum tempo depois profundamente humilhado, fugindo de um processo colocado na justiça contra ele por supostas práticas pastorais inadequadas.

Em Londres, procura relacionar-se com cristãos alemães chamados de “moravianos”, que eram liderados por um conde chamado Zinzendorf. Ele ficara impressionado com a fé dos moravianos durante sua viagem de ida para a Geórgia. Quando o navio era sacudido de um lado para o outro, um grupo moraviano seguia calmo e confiante. “Nós confiamos em Deus e nossas vidas estão salvas em suas mãos”, diriam mais tarde. Em Londres torna-se amigo de um pregador moraviano que estava naquela cidade preparando-se para seguir viagem para a América. Wesley e Pedro Bolher conversam por vários dias sobre a fé, a doutrina, a salvação, a certeza de ser salvo por Deus, etc... Wesley percebe que criam exatamente na mesma doutrina, mas que lhe faltava sem dúvida, aquilo que ele se ressentia de não ter tido ainda: uma forte experiência com Deus. O que acontece numa pequena reunião dos moravianos na noite de 24 de maio de 1738 quando o pregador lia um comentário escrito quase 200 anos antes por Martinho Lutero sobre o livro de Romanos.

Ele que confessa mais tarde em seu diário ter ido à tal reunião praticamente sem nenhuma vontade; mas que por volta das 20:45h quando o pregador falava sobre as mudanças realizadas por Deus na vida dos salvos, ele sentiu seu coração estranhamente aquecido (na verdade, sentiu seu coração estranhamente abrasado, ardente) pelo poder de Deus e sentiu que seus pecados estavam perdoados, que ele confiava em Deus... um grande peso saiu de sobre seus ombros e ele deixou de ser apenas um servo, passando a experimentar a maravilhosa experiência de ser filho de Deus.

Daquele 24 de maio em diante João Wesley nunca mais foi a mesma pessoa ou o mesmo pregador. Começou um movimento de discipulado de crentes dentro da Igreja Anglicana, que visava vida de oração, estudo da Palavra de Deus, desejo por santidade e dedicação à evangelização e à missões. Ao morrer em 1792, aos 89 anos de idade, calcula-se que havia 70 mil metodistas na Grã-Bretanha (Inglaterra, Escócia e Irlanda) e que pelo menos outros 70 mil já haviam morrido durante sua vida tão longeva.
Apesar de ser perseguido pelas autoridades da Igreja Anglicana por causa de seu “entusiasmo” (fervor), deixando-o não apenas sem a designação para uma paróquia, mas proibindo-o de pregar em qualquer igreja anglicana, Wesley e todos os metodistas enquanto ele viveu não deixaram de ser nem anglicanos nem metodistas. O metodismo era um movimento de santidade e evangelização dentro da Igreja Anglicana. Quando proibido de pregar em templos anglicanos, Wesley disse: “O mundo é a minha paróquia”. Sobre o porquê Deus havia levantado os metodistas ele afirmou: “Para reformar a nação, particularmente a igreja; e para espalhar a santidade bíblica por toda a terra”. Sua grande prioridade: “Nada a fazer senão salvar almas”.

Seu “entusiasmo” não foi nem irracional nem alienante. Pois levou Wesley a compreender que além de salvar a alma da pessoa do inferno, era necessário também salvar a vida das mesmas antes da morte, tirando-as de sob o poder da pobreza, do analfabetismo, do trabalho escravo, da injustiça e de todo tipo de valores e práticas que não tivessem em conformidade com a vontade de Deus. O avivamento de Wesley não era apenas no culto, mas sobretudo no dia a dia. E sua teologia do que podemos chamar hoje de “salvação integral” levou-o também a lutar contra a escravidão, os vícios, as leis e sistema prisional desumano da Inglaterra de então.

Olhando para a história desse homem que teve seu coração “estranhamente aquecido” (coração fervente) pelo poder do Espírito Santo, não temos como não reconhecer que foi um homem tremendamente usado por Deus e que ele é um testemunho explícito e vivo de que:

1 – NÃO PODEMOS NOS SATISFAZER COM EXPERIÊNCIAS ALHEIAS E COM VIDA ESPIRITUAL MEDÍOCRE – Não devemos nos satisfazer com aquilo que generosa e amorosamente recebemos de nossos pais e de nossa Igreja. É preciso buscar nossa própria experiência de fé com Deus. Não podemos ser cristãos alimentados apenas pela fé de nossos pais e pela tradição dos que nos antecederam nessa fé. É fundamental que tenhamos nossa própria experiência de fé (e pessoal) com Deus. Deus tem mais para nós do que aquilo que nossos pais podem compartilhar conosco, repassar para nós... por mais leais a Deus e à tarefa do testemunho e do ensino cristão que eles sejam.
Não podemos nos satisfazer com relações superficiais, medíocres, ritualistas e mecânicas com Deus. É necessário que o Espírito de Deus testifique em nosso próprio coração que somos filhos e filhas de Deus. E a partir daí construir uma vida de intimidade e de experiências pessoais contínuas com o Deus vivo e presente.

2 – NÃO DEVEMOS VIVER DE ACORDO COM O MEIO SOCIAL E CULTURAL, MAS DE ACORDO COM A VONTADE DE DEUS – O meio social, político, cultural, eclesiástico e teológico com certeza influem poderosamente no tipo de pessoas que somos ou seremos, nos valores que temos ou teremos e também no tipo de espiritualidade (relação com Deus) que temos. Mas nossa maior referência e influência têm de ser o Evangelho e o Espírito Santo de Deus.

O meio ambiente, cultural e social e religioso forma, deforma, conforma, reforma, formata, etc, as pessoas; mas pessoas podem questionar a formação, superar a conformação e experimentarem reforma e transformação. Particularmente se foram despertadas para a situação em que estão e encorajadas a uma mudança significativa através e por causa do amor de Deus.

Pessoas genuinamente cristãs têm o Evangelho de Jesus como “lâmpada para os pés e luz para o caminho” (Sl 119:105). De modo que têm por natureza o discernimento que nos faz sermos críticos diante das coisas, das tradições, das inovações, das repressões, dos rolos compressores dos modismos de qualquer espécie, inclusive, os modismos teológicos.

Deus tem o poder de mudar as pessoas e o meio cultural onde as pessoas vivem. Para provocar mudanças existe também o testemunho pessoal, a evangelização (que deve ser integral curando o caráter da pessoa, seus relacionamentos e os valores e estruturas da comunidade onde vive) e, sobretudo o poder do Espírito Santo que convence do pecado, guia à verdade e faz tudo novo. Os grandes e genuínos avivamentos, inclusive, têm essa finalidade: mudam as pessoas e enchem a história humana de mais graça de Deus.

3 – PEQUENOS ENCONTROS E PESSOAS SIMPLES TAMBÉM PODEM PROMOVER GRANDES MUDANÇAS – Pessoas simples, como o missionário moraviano Pedro Bolher, podem ser tremendos canais de graça e instrumentos do agir de Deus de Deus, das mudanças de Deus, das operações de Deus em pessoas, nas histórias dessas pessoas e na história da comunidade. Wesley foi, digamos, o estopim que foi aceso através da instrumentalidade de Pedro Bolher pelo “fogo” do Espírito Santo. Depois de um tempo em Londres ponde esperava para ir como missionário nas Américas não se ouviu mais esse nome. Mas assim como o muito sem Deus é sempre pouco, o pouco com Ele muito se faz; é sempre o suficiente.

4 – QUE O CAIR É DO HOMEM, MAS QUE A SALVAÇÃO PERTENCE AO SENHOR – João Wesley, um homem que confiava em seus próprios méritos, na sua sabedoria e conhecimentos, na segurança dos ritos e do tradicionalismo, foi levado por Deus à colônia inglesa na Geórgia e ali foi quebrado como um vaso nas mãos do oleiro. Foi reduzido a alguém que não tinha mais como confiar em si mesmo. Reconheceu que precisava desesperadamente do socorro do Senhor e quando clamou este aflito, Deus o ouviu, o ergueu e o tornou um instrumento de graça e salvação confiável. Não porque era grande, mas porque sua grandeza estava em depender e em obedecer a Deus em todas as coisas.

5 – PESSOAS PODEM LIDERAR PESSOAS E AJUDÁ-LAS A SEREM TRASFORMADAS POR DEUS – João Wesley nunca teve o poder de transformar as pessoas, mas nas mãos de Deus foi um grande líder que levou pessoas a colocarem suas vidas e a fé nas mãos do único e suficiente Salvador, o Senhor Jesus.

Um homem sozinho não pode mudar ninguém (ao menos para melhor!!), não pode mudar um país inteiro, não pode mudar o mundo, transformando-o num lugar melhor e mais justo para todos, mas pode, sob o poder de Deus, vislumbrar e profetizar mudanças, proclamar e promover mudanças, animar e reunir pessoas que desejam mudanças e liderar pessoas para que mudanças de fato aconteçam.

6 – QUE A IGREJA PODE SER O LUGAR DA AUSÊNCIA DE DEUS - A Igreja (a vida das pessoas crentes, o culto, os ritos, a religião cristã, etc) pode transformar-se num lugar difícil de encontrar o Deus vivo, tal como aconteceu no tempo de Jesus com o templo de Jerusalém e seus religiosos e tal como aconteceu no tempo de João Wesley, onde, segundo estudiosos, se alguém se convertesse de seus pecados os mais surpresos seriam os próprios pregadores.

Graças a Deus porque ele não desiste de seu povo, de sua igreja e que o fermento do Reino, tal como aconteceu com João Wesley e seus companheiros metodistas, leveda toda a “massa”, todo o corpo, sendo luz que vence as trevas e sal da terra. As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos. Aleluia!

7 – NADA QUE HOJE É GRANDE COMEÇOU GRANDE E TUDO QUE É GRANDE COMEÇOU PEQUENO – Foi assim como movimento dos metodistas e posteriormente com a Igreja Metodista. Começou com um, depois dois, depois dez, depois cem. Mas graças a Deus por aqueles que viram quando nada ainda havia para ver, a não ser através da fé. “Paulo plantou, Apolo regou, mas é Deus quem dá o crescimento”. Aleluia!

8 – NÃO TEMER AS ESTRUTURAS, AS PERSEGUIÇÕES E A PERDA DE PRIVILÉGIOS – João Wesley, de posse da tarefa que Deus lhe deu, enfrentou as tradições doentias, o clero corrompido e sem visão missionária, a cultura da frouxidão ética, a antipatia dos governantes, a perda de uma designação para uma igreja local e até mesmo a humilhação de ser proibido de pregar na igreja da qual era pastor, que seu pai, avôs e bisavôs eram pastores. Ele certamente sofreu, mas preferiu tomar sobre si a cruz de Cristo, não se deixou apequenar diante dos poderes das estruturas eclesiásticas, não se deixou corromper pelas dádivas de uma teologia e uma ação pastoral e missionária domesticada, mas se ressentiu de perder o papel de comensal na mesa das autoridades e os privilégios daí advindos. Ele preferiu ser fiel a Deus, ao seu chamado, à sua fé e à sua consciência. Como Daniel, ele preferiu estar com Deus na cova dos leões do que estar sem Ele na Mesa do rei e nas louvações do Palácio real.

9 – TER UMA AUTORIDADE QUE NÃO ABRE NÃO DO PODER, MAS EXERCER O PODER E A AUTORIDADE NO TEMOR DO SENHOR, COMO DESPENSEIRO DE DEUS E SERVO DOS DEMAIS E COMO QUEM ESTÁ PRONTO PAR AOUVIR E MUDAR - Depois que teve sua experiência com Deus naquele 24 de maio Wesley tornou-se crescentemente uma referência e uma autoridade espiritual e pastoral em seu país. Mas foi um homem que ouvia e que mudava de opinião, mesmo que isso doesse tanto quanto ter de arrancar o próprio fígado. Foi assim com a pregação de leigos, com a pregação de mulheres, com a ordenação de pregadores para ministrar a Ceia aos metodistas dos EUA quando não havia lá sacerdotes anglicanos para fazê-lo... Também aceitou a autonomia dos metodistas norte-americanos em relação à Igreja Anglicana... era contra tudo isso, mas Deus, através de sua mãe Suzana, de seu amigo Maxfield, e de outros próximos, o quebrava e remodelava sempre que necessário.

10 – É PRECISO CONTINUAR, SENDO CRIATIVO E REMINDO O TEMPO – João Wesley nunca se satisfez com o trabalho feito e os resultados obtidos. Não podia descansar enquanto houvesse pessoas a serem alcançadas e almas a serem aliviadas, perdoadas e salvas. Morreu aos 89 anos de idade, trabalhando, mesmo depois de ter exercido um ministério pastoral e evangelístico no qual pregou mais de 40 mil vezes, escreveu mais de 30 livros, visitou missionariamente a Irlanda 11 vezes e a Escócia 22 vezes, que viajou a cavalo mais de 4.500 milhas por ano até os seus 60 anos de idade, totalizando mais de 375.000 quilômetros, pregando e visitando. Wesley e os primeiros metodistas apoiaram a reforma do ensino que era fraco e para apenas alguns poucos privilegiados; criaram escolas para os pobres e casas de acolhida para as viúvas e órfãos pobres; apoiaram as mudanças nas leis e a reforma das prisões; lutou pela libertação dos escravos; contra o trabalho das crianças nas minas de carvão; e por uma reforma ampla e geral das leis e costumes da decaída Inglaterra do Século XVIII.

No leito, bem pouco antes de morrer escreveu ao primeiro ministro inglês de então, Wilbeforce, igualmente um metodista, para que não cessasse de lutar contra a escravidão, o mais vil pecado e vergonha sobre a face da terra. E ao invés de vangloriar-se do que fez e do legado que deixava, apenas disse: “O melhor de tudo é que Deus está conosco”.

Ainda sobre o legado que deixava, sentenciou: “Não tenho medo que o Metodismo deixe de existir. Tenho medo que ele se torne insípido”.

João Wesley, foi profundamente impactado pela sua experiência religiosa do 24 de maio de 1738, mas nunca tornou-se prisioneiro dela. Ou melhor, nunca foi homem de apenas uma única experiência com Deus. Na medida em que os anos passam daquele 1938, cada vez ele fala menos daquela experiência. Tinha outras experiências a viver e a testificar.

Como dois séculos mais tarde diria o Bispo Metodista Francis Ensley sobre aquele 24 de maio, a experiência do coração aquecido acontecida na rua Aldersgate “não livrou Wesley da luxúria, da bebedeira ou da criminalidade. Não representa a conversão aos preceitos de Cristo, ou um retorno da indiferença religiosa. Aldersgate marca uma onda contrária aos inimigos espirituais que o flagelavam. Um deles era a concepção legalista da religião que ele professava. (...) O outro inimigo espiritual foi a indiferença emocional. (...) Sua religião era antes um peso do que algo que trouxesse alívio. (...) E para uma coisa ela o inflamou: para a tarefa evangelística”.

20 Maio, 2009

Pentecostés - Mensaje del Consejo Mundial de Iglesias

“Hermanas y hermanos, ¿qué tenemos que hacer?” (Hechos 2:37b)

El año 2009 comenzó con la grave preocupación por la catastrófica situación económica del mundo de la riqueza. Hacia fines de 2008, en medio de una vida que para muchos se presentaba sin problemas, de repente salieron a la luz desastrosas dificultades económicas y financieras.

Fue algo parecido a lo que ocurrió el primer Pentecostés de la era cristiana, cuando todo parecía ir bien para los creyentes de la época. Muchos habían hecho la acostumbrada peregrinación a Jerusalén para celebrar la fiesta. Llegaron en gran número con la buena intención de rendir culto como siempre.

Después, cuando, como una impetuosa ráfaga de viento, descendió sobre los discípulos el Espíritu Santo que los llenó con su plenitud y los indujo a “hablar en diversas lenguas, según el Espíritu les concedía expresarse”, los peregrinos quedaron estupefactos y asombrados: “¿Cómo cada uno de nosotros les oímos en nuestra propia lengua nativa?” (Hechos 2:1-13)

Fue esta una experiencia extraordinaria y abrumadora para los peregrinos llegados de todas las partes del mundo. Pedro, completamente transformado y valiente, ofreció respuestas claras a las preguntas en forma de una invitación a cambiar su corazón y su comportamiento. (Hechos 2:14-36)

Luego del conmovedor discurso de Pedro, se estremecieron profundamente los corazones de los peregrinos y preguntaron: “Hermanas y hermanos, ¿qué tenemos que hacer? Esta respuesta fue el comienzo del arrepentimiento, de la “metanoia”, esa transformación profunda de la persona que le mueve a actuar de una forma nueva. Pedro respondió a sus preguntas diciendo: “Arrepentíos y que cada uno de vosotros se haga bautizar en el nombre de Jesucristo para el perdón de vuestros pecados; y recibiréis el don del Espíritu Santo”. (Hechos 2:38)

El arrepentimiento puede venir solamente después de que se reconoce haber actuado mal y haberse comportado mal.

Muchos de los que ostentan cargos en el mundo de hoy deben reconocer que han sido insensatos en la gestión de los recursos de nuestro planeta: los ricos se hacen siempre algo más ricos, en detrimento de los pobres que viven en la profunda pobreza; las personas empobrecidas, dada su condición, no tienen poder para decir no a lo que se les impone.

Tanto en África como en Asia o en cualquier otro continente, la situación es en todas partes la misma. Frente a esto, la pregunta más acuciante sigue siendo hoy: “Hermanas y hermanos, ¿qué tenemos que hacer?”

Y una vez más la palabra de Dios nos da una respuesta mejor que cualquier otra: “Arrepentíos”

La conversión en el mundo de hoy implicará que:
· Los gestores de las empresas reconozcan sus errores, los confiesen públicamente y los reparen.· Todos nosotros, que somos responsables de la degradación del ecosistema, enmendemos nuestros modos de actuar y nos esforcemos por reducir toda forma de contaminación.· Se estimule a quienes instigan a la violencia a que sean moderados y tolerantes, en consonancia con nuestra oración pidiendo que el “Decenio para Superar la Violencia”, que está llegando a su fin, no se haya celebrado sin que deje un impacto en nosotros.

La conversión, proclamada por Cristo y reiterada firmemente en Pentecostés, es una fuerza para nuestra transformación espiritual, para el cambio y para la renovación. Los seres humanos deben tratar de reconciliarse consigo mismos, con los demás y con el medio ambiente, al tiempo que las iglesias también deben seguir buscando la reconciliación. Es éste el desafío de nuestro evangelio de reconciliación, que se replantea una vez más este año, 2009, Año Internacional de la Reconciliación proclamado por las Naciones Unidas.

Que todos encontremos la fortaleza y la voluntad para dar un nuevo significado a la afirmación, “¡Si, podemos!” Todo es posible para quienes creen.

Que el Señor nos bendiga y les deseamos a todos una feliz fiesta de Pentecostés.
Presidentes del Consejo Mundial de Iglesias.+ (PE)

Nota. El mensaje está firmado por los Presidentetes del CMI.
Arzobispo Dr. Anastasios de Tirana y de Toda Albania, Iglesia Ortodoxa Autocéfala de Albania
Sr. John Taroanui Doom, Iglesia Protestante Maohi (Polinesia Francesa)
Rev. Dr. Simon Dossou, Iglesia Metodista en Benín
Rev. Dr. Soritua Nababan, Iglesia Cristiana Protestante Batak (Indonesia)
Pastora. Dra. Ofelia Ortega, Iglesia Presbiteriana-Reformada en Cuba
Patriarca Abune Paulos, Iglesia Ortodoxa Tewahedo de Etiopía
Pastor Dr. Bernice Powell Jackson, Iglesia Unida de Cristo (EE.UU.)
Dra. Mary Tanner, Iglesia de Inglaterra

09/05/20 - PreNot 8143
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18 Maio, 2009

Avivamento e o compromisso social metodista, na Inglaterra, no século XVIII (Odilon Massolar Chaves)



"Avivamento e o compromisso social metodista, na Inglaterra, no século XVIII: uma busca de subsídios para a identidade do metodismo brasileiro no 3º milênio" é o nome da tese de doutorado do Rev. Odilon Massolar Chaves que acaba de ser publicada no site da Igreja Metodista de Vila Isabel (www.metodistavilaisabel.org.br).

Esta pesquisa tem o propósito de dar uma contribuição para a elaboração histórica sobre o Avivamento e o Compromisso Social Metodista, no século XVIII, na Inglaterra cujo subsídio poderá servir para a identidade metodista no novo milênio. Tanto o avivamento, que surgiu como com conseqüência do forte mover do Espírito Santo, bem como a atuação do povo metodista junto às camadas pobres, como resultado da prática das Obras de Misericórdia, sempre andaram juntas. Fé e obras ou espiritualidade e ação social eram partes integrantes de uma mesma mensagem, que pode ser resumida como “a fé que atua pelo amor”. A ênfase na salvação total do ser humano, com o passar dos anos, passou a ser entendida de maneira diferente pelos novos grupos que surgiram na Igreja e que passaram a enfatizar a salvação da alma (Espiritualismo) e o Compromisso Social (Evangelho Social). Mais recentemente, a partir da década de sessenta, esses grupos passaram a ter novos nomes: Teologia da Libertação e Movimento Carismático. As divisões ocorridas, no último século, no metodismo brasileiro, foram conseqüências, em grande parte, do radicalismo entre esses dois grupos.

O link para o texto no site da Vila é:
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricao.asp?n=0

15 Maio, 2009

Agar: a história de uma mulher usada e abusada a quem Deus salvou (Gn 16:1-16 e Gn 21:8-21) - Ronan Boechat de Amorim



Todos sabemos que o tempo de Deus (kairos) é diferente de nosso tempo humano (cronos). Abraão e Sara não sabiam ou se esqueceram disso. E todas as vezes que a gente não confia na providencia de Deus, tentando fazer o que Deus demora para fazer, acabamos atropelando a vontade de Deus, afastando-nos dela e ferindo outras pessoas ou a nós mesmos.

Julgando que a promessa do filho estava demorando, Sara usa a sua escrava egípcia Agar para, digamos, “apressar” a ação de Deus. Aparentemente Abraão e Sara “fazem acontecer” a promessa que Deus ainda não havia providenciado. Ela cede sua escrava para seu marido Abraão ter um filho com ela. “toma, pois a minha serva, e assim me edificarei com filhos por meio dela. E Abraão anuiu ao conselho de Sara” (Gn 16:1).

Agar, a mulher reduzida a escrava, usada e abusada, ficou grávida (Gn 16:11) depois que Abraão a “possuiu” (Gn 16:4). “Vingou-se” de sua senhora e dona com seu desprezo (Gn 16:4). E Sara, além de não ter se sentido “edificada” com o nascimento do filho da escrava abusada, visto que não honrou a acordo de assumir (adotar) Ismael como seu filho, não lidava bem com o desprezo da escrava, tornando-se intolerante, rixenta e opressora. Sara humilhou a escrava Agar e ela fugiu de sua presença (Gn 16:6). Foi achada por Deus junto a uma fonte de água no caminho de Sur, uma antiga rota que ia até o Egito, terra da escrava, e que cruzava o deserto de Sur.

Ali Deus a confortou, acudiu (Gn 16:11) e a aconselhou para voltar para a sua senhora e humilhar-se sob as mãos de Sara (Gn 16:9). Ela não apenas obedeceu a Deus, como o invocou sobre si o nome e o favor do Senhor (Gn 16:9). Foi algo tão impactante na vida de Agar que o testemunho que ela deu a outros disso fez com que aquele poço fosse chamado e ficasse conhecido pelo nome de Beer-Laai-Roi, numa alusão a “El Roí”, o Deus que vê.

Quatro anos depois do nascimento de Ismael (Gn 16:16) nasceu Isaque, o filho de Sara (Gn 21:5). Quando tinha por volta de 3 anos de idade Isaque foi desmamado e Sara fica indignada porque supostamente Ismael “caçoava” (embora a palavra hebraica possa significar também “brincava” com ) Isaque. O destempero de Sara, abençoada por Deus com a maternidade, mas ainda recalcada pela esterilidade, manifestou novamente contra a escrava e seu filho: “rejeita esta escrava e seu filho; porque o filho da escrava (que deveria “edificar” Sara) não será herdeiro com meu filho” (Gn 21:10).

Isso foi muito penoso para Abraão, o pai da criança. Aparentemente Abraão só “rejeitou” a Agar e Ismael, deserdando o filho (nascido a partir de um “belo plano” de sua esposa Sara) e expulsando a escrava com “uma mão na frente e outra atrás” (aliás, deu pão e um odre de água!) no meio do deserto, porque teve o consentimento de Deus: “atenda ao pedido da sua mulher, e deixa que eu cuido de Agar e Sara” (cf. Gn 21:12). Não precisava ser tão sovina (pão-duro, mesquinho) e nem deixar a mãe de seu filho errante no meio do deserto.

Com certeza deve ter sido uma boa esposa para Abraão e uma boa mãe para Isaque. Até porque experimentou o grande milagre de, sendo estéril, conceber um filho pela misericórdia de Deus. Mas foi uma pessoa amarga, doentia, ciumenta, vingativa e impiedosa com a mulher que ela usou e que seu marido abusou, quando julgaram que a ação de Deus estava demorando demais.

Desse texto podemos aprender:
1 – Todas as vezes que arrogantemente agimos ou tentamos agir no lugar de Deus, criando alternativas que não são de Deus, problemas vão acontecer. Caminhos e soluções que não vêm de Deus ou se não estão em conformidade com a vontade de Deus, não podem ser bênção!

2 – Ismael nasceu como fruto de um pecado (a falta de confiança em Deus), como uso e abuso de uma mulher escravizada, mas o que devia ser visto como maldição, Deus tornou bênção. Deus tornou Ismael parte da Promessa.

3 – Possivelmente nem Sara nem Abraão tinham consciência do uso e do abuso de outro ser humano. Era uma coisa normal e culturalmente aceita e praticada. Isso revela que nem tudo que é cultural ou normal ou moralmente aceito é bom, é do bem, é de Deus. Não tenho dúvidas que Abraão amou aquele filho que o ciúme e amargura de Sara lhe tiraram a convivência quando Ismael tinha por volta dos seus 7 anos de idade.

4 – Pode até não ser o que acontece regularmente, mas homens podem ser meigos e sensíveis e mulheres embrutecidas; mães podem ser intoleran-tes e vingativas e pais podem ser generosos. Não é o sexo masculino ou fe-minino que torna alguém gentil ou não. É o pecado que embrutece. É o Espí-rito Santo que transforma coração de pedra em coração de carne (sensível).

5 – Não há porque não afirmarmos que Sara foi uma boa pessoa. Mas particularmente na questão da maternidade e na sua relação com a escrava Agar e o filho Ismael que ela planejou, foi uma mulher intolerante e cruel. Amarguras, complexos, sentimentos de inferioridade, etc, quando não são curados podem ser perigosos e machucar outras pessoas.

Sara certamente foi também uma mulher sofrida e oprimida naquela soci-edade patriarcal (governada com mão de ferro pelos homens), por isso esses episódios aqui não podem apequenar esta grande mulher. Essa história com Agar não é a síntese da vida de Sara. Ela foi maior que sua dor e amargura. Não julguemos alguém, mesmo alguém cronológica e culturalmente tão dis-tante de nós, apenas por um ato ou um fato ou uma passagem de sua vida.


6 – Agar, a mulher reduzida à escravidão, conseguiu ouvir, amar e obedecer a Deus apesar de ser uma mulher de um outro povo, outra cultura e, muito possivelmente, outra religião. Apesar também do mau testemunho dos seus escravizadores e do mal que experimentou naquela casa. O amor de Deus não conhece barreiras para se manifestar abundantemente e nem para ser experimentado graciosamente. Ninguém pode impedir o amor e a promessa de salvação da parte de Deus.

7 - Abraão pode ter dado muito pouco à Agar: pão e um odre de água. Mas Deus cuidou daquela mulher rejeitada e de seu filho. Deus exaltou aquela mulher que fora humilhada. E quando acabou a água do seu odre no meio do deserto, Agar protegeu o seu filho (Gn 21:15) e "levantou a sua voz e chorou" (Gn 21:16).

Segundo o texto hebraico quem chorou foi Agar. Segundo a versão grega (a tradução feita em Alexandria, no Egito, dos textos hebraicos para o o grego), quem chorou foi a criança. Mas Gn 21:16 diz que Agar chora, e Gn 21:17 diz que Deus ouviu a voz do menino. É muito curioso o jogo de palavras "Deus ouviu" o menino com o próprio nome do menino. Ismael significa "Deus ouve".

O fato é que Deus ouviu e cumpriu sua promessa de salvação.

E disse para aquela mãe (cf. Gn 21:18-19):
- ergue-te
- levanta o rapaz;
- segura-o pela mão
- porque eu farei dele um grande povo.

E logo a salvação aconteceu (Gn 21:19):
"Abrindo-lhe Deus os olhos, viu ela um poço de água e, e indo Agar ao poço,
encheu de água o seu odre, e deu de beber ao rapaz.

Deus estava com o rapaz (Gn 21:21). Aleluia!

8 - Na maior parte das vezes, caidos se tornam "cegos" pela falta de esperança e pelo desespero. Caídos não podem levantar caídos.

Mas caídos podem gritar por socorro até serem ouvidos e devem fazer isso.

Há um Deus que ouve oração, que se inclina para ouvir... que nos infunde coragem e cuja presença aponta o caminho.

Ele continua dizendo aos que o buscam: "ergue-te!"
Pois só erguido você poderá erguer outros e fazer diferença.
Estenda as mãos solidariamente e abra os braços acolhedoramente.

A confiança em Deus lhe dará coragem. E lhe abrirá os olhos para você perceber que há um poço no deserto onde você vive errante. Você poderá viver e habitar no deserto. Mas poderá também tomar a decisão de voltar pra casa.

07 Maio, 2009

O Pregador Silencioso: ecumenismo no jornal Expositor Cristão de1886 a 1982 (Suzel Tunes)



"O Pregador Silencioso: ecumenismo no jornal Expositor Cristão de1886 a 1982", é a tese de Mestrado de Suzel Tunes, onde ela se dispôs a avaliar como o jornal Expositor Cristão tratou a questão do ecumenismo desde a sua criação em 1986 até a entrada da Igreja Metodista no CONIC, Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, no início da década de 1980.

A pesquisa constatou que o anticatolicismo arraigado no metodismo brasileiro em seus primórdios jamais desapareceu por completo. Notou também que o metodismo não esteve imune aos conflitos interdenominacionais existentes no próprio meio evangélico. Em que pese o reconhecido pioneirismo da Igreja Metodista na criação de organismos ecumênicos brasileiros, o ecumenismo sempre enfrentou barreiras internas, mais ou menos explícitas.

E o jornal Expositor Cristão, criado para ser um veículo de informação e formação doutrinária, nem sempre comunicou com a necessária clareza qual o significado que a Igreja Metodista confere à palavra ecumenismo e como ela o pratica. Em alguns momentos, a coexistência entre ecumenismo e antiecumenismo no interior do campo metodista não foi trazida à luz dos debates pelo jornal, mas permaneceu oculta por omissões e ambivalências.

É o que este trabalho pôde constatar a partir de uma avaliação qualitativa do conteúdo do jornal.

Esse trabalho pode ser lido em:
http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricao.asp?n=0

05 Maio, 2009

Semelhante ao sândalo que perfuma até mesmo o machado que o fere (Ronan Boechat de Amorim)



O texto bíblico de 2 Reis 5:1-19 narra a cura da lepra e a conversão de Naamã, o comandante dos exércitos da Síria, o processo como isso se deu e os personagens envolvidos nessa história maravilhosa. E chama a atenção a menina mencionada em 2 Rs 5:2 que foi levada como prisioneira para a Síria e que foi usada como escrava na casa de Naamã. A menina era uma pessoa tão sem importância que o texto nem menciona seu nome. Mas ela sabia de algo que nem o rei de Israel sabia (cf. 2Rs 5:7): havia um homem de Deus em Israel que poderia curar a lepra de Naamã.

A menina não tinha nenhuma razão para tanto, mas agiu com bondade para com aqueles que a seqüestraram, a reduziram a uma escrava e que exploravam o seu trabalho infantil. Ela não tinha a maturidade e a espiritualidade de um adulto, mas agiu com bondade. Ela não a credibilidade e as oportunidades de alguém do sexo masculino, mas agiu com bondade. Ela não tinha a liberdade de uma pessoa livre (era escrava), mas agiu com bondade.

Ela não tinha funções, cargos, encargos na igreja, no templo, na sinagoga, mas testemunhou o que sabia: em Israel há um homem de Deus que pode curar a lepra do general Naamã. Ela testemunhou algo que nunca acontecera antes e nem depois em todo o Antigo Testamento: a cura da lepra. A menina nunca havia visto e nunca havia ouvido alguém falar que a lepra podia ser curada, mas ela foi uma crente no poder de Deus e seu testemunho levou algo novo a acontecer em todo o Antigo Testamento: um homem foi curado de lepra.

Ainda que consideremos que a menina falou impensadamente, ainda assim seus comentários, sua conversa informal, suas palavras infantis, suas palavras impensadas apontavam para Deus e para a esperança que alguém que sofria poderia encontrar em Deus. Suas palavras deram início a um processo que envolveu dois reis (Síria e Israel) e culminou com a cura e a conversão do grande comandante sírio. Mesmo na adversidade, aquela menina espalhou esperança e bondade: foi como o sândalo (a árvore que dá nome a um perfume de mesmo nome) que perfuma até mesmo o machado que a feria. Ela foi como Jesus que mesmo ao morrer injustamente na cruz, estava de braços abertos, oferecendo perdão e salvação até mesmo àqueles que o traíram e o crucificaram.